Mais do que um quarto, um camarim onde se vivem estórias e onde Lisboa é a maior confidente.
Romântico e exuberante, aqui as intrigas são reveladas e a estória contada. Neste camarim escolhem-se máscaras para entrar em cena. Os espelhos revelam apenas aquilo que se quer desvendar.
Saíram de Espanha como tantas outras e resolveram tentar a sua sorte em Lisboa. A zona mais agitada da cidade, entre a Avenida da Liberdade e o Chiado, era a área do mundanismo cosmopolita onde todos afluíam.
Foi sentada na Brasileira, segundo me contaram, que Carmen leu num jornal que o Maxime Hotel tinha o mais luxuoso e moderno cabaret. Ambiciosa, tal como a conheço, tinha de conseguir o seu lugar, ter o seu próprio número e um nome sonante para se desmarcar da forte concorrência espanhola, como as conhecidas alternadeiras “Irmanitas”, mas precisava do talento da sua irmã Lola. Parece que estou a ouvi-la: “¡Mira Lolita, ya sé! ¡Las Carmencitas! ¡ya me estoy imaginando en el palco! Muy bien, ¿te gusta? Decidido!”
Carmen tem um ego proporcionalmente inverso à sua auto-estima, o que se deve sobretudo à sua falta de talento, que Lola, por sua vez, tem de sobra. Mas é o seu carisma e exuberância que me vende o espectáculo. Foi por se completarem que as contratei mas tudo serve para exaltar a natureza conflituosa e invejosa de Carmen, enquanto a irmã é amável e ingénua. Ainda hoje entrego a Lola, às escondidas, as cartas dos seus fãs, segredo que ambas levaremos para a cova. Lola não se importa… e Carmen não amua.
Saíram de Espanha como tantas outras e resolveram tentar a sua sorte em Lisboa. A zona mais agitada da cidade, entre a Avenida da Liberdade e o Chiado, era a área do mundanismo cosmopolita onde todos afluíam.
Foi sentada na Brasileira, segundo me contaram, que Carmen leu num jornal que o Maxime Hotel tinha o mais luxuoso e moderno cabaret. Ambiciosa, tal como a conheço, tinha de conseguir o seu lugar, ter o seu próprio número e um nome sonante para se desmarcar da forte concorrência espanhola, como as conhecidas alternadeiras “Irmanitas”, mas precisava do talento da sua irmã Lola. Parece que estou a ouvi-la: “¡Mira Lolita, ya sé! ¡Las Carmencitas! ¡ya me estoy imaginando en el palco! Muy bien, ¿te gusta? Decidido!”
Carmen tem um ego proporcionalmente inverso à sua auto-estima, o que se deve sobretudo à sua falta de talento, que Lola, por sua vez, tem de sobra. Mas é o seu carisma e exuberância que me vende o espectáculo. Foi por se completarem que as contratei mas tudo serve para exaltar a natureza conflituosa e invejosa de Carmen, enquanto a irmã é amável e ingénua. Ainda hoje entrego a Lola, às escondidas, as cartas dos seus fãs, segredo que ambas levaremos para a cova. Lola não se importa… e Carmen não amua.